Tolerância e Direitos Humanos

Muito triste este tempo que vivemos hoje. Talvez porque adentramos de soco na globalização, talvez porque seja próprio do ser humano querer que todos sejamos iguais, que se tenta forçar no outro nosso modo de ver as coisas… O fato é que atualmente se está diante de uma batalha pelo respeito e pela tolerância e nada nem ninguém consegue, diante de uma visão crítica e epistemológica delimitar os direitos e as garantias individuais.

A falta de tolerância com o próximo é tamanha que, muitas vezes, por não pertencer a mesma religião, ou  por não ter a mesma linha de pensamento, algumas pessoas são deliberadamente isoladas, mal-tratadas e ou ainda forçadas a converter-se a todo custo, como se tivessem que ser curadas de algum mal.

É brutal observar que  ninguém realmente sabe exatamente o que são Direitos Humanos, o que englobam, a que e a quem se referem. Acredito que uma das grandes confusões a que estamos sujeitos ultimamente é a de que direitos humanos referem-se somente aos presos, talvez essa seja uma justificativa para a escolha do presidente da comissão de  Direitos humanos da câmara que foi eleito – quero crer, não tão somente  por interesses partidários, mas por uma justificativa suscitada, a de que a bancada evangélica estaria desempenhando um bom trabalho na recuperação e na busca por direitos dos presidiários e que isso estaria adequado com o posto.

Bem, está se vendo que direitos humanos não são mesmo apenas os do preso. Não são também apenas os direitos das minorias. Os direitos Humanos, são, óbvia e evidentemente, de todos os seres humanos. Sejam eles de uma ou outra etnia, tenham eles uma ou outra orientação sexual, pertençam a um ou outro gênero, sigam uma ou outra religião, sejam portadores de uma ou de nenhuma doença, advenham de qualquer lugar e cultura.

Claro que as pessoas mais afetadas pelas infelizes declarações do congressista intolerante tem sido vítimas de violações aos direitos humanos. Mas também temos sido todos nós vítimas desta falta de respeito e de outras tantas violações e agressões que muitas vezes é necessário perguntar: por que vige no nosso país a ideia de que um direito só pode ser acautelado após sua violação? ou melhor, por que, no Brasil, não se protegem direitos antes que eles sejam violados? Busca-se apenas remendar as situações que já ocorreram,  repreendem-se fatos já ocorridos, mas não se ensina o correto antes.

É que neste país em que prevalece o “jeitinho” para tudo,  não precisa se ensinar a respeitar o outro, com suas diferenças, e até em alguns casos, dificuldades, se é pregado o “amor ao próximo” isso é apenas para passar uma imagem, sem conteúdo, só quando acontece alguma coisa errada é que se passa a percebê-la e tenta-se corrigi-la. Todavia a correção nem sempre é a correta, uma vez que pode se dar de maneira puramente  pontual  (como algumas medidas tomadas com fim político “eleitoreiro” voltado à aquisição de eleitores e votos, mas certamente ineficazes)  ou ainda sem nenhum tipo de coercitividade, o que por si só, faz com que a lei “não pegue”.

Não basta, sabemos, participar de convenções e tratados internacionais, quando no país, não se faz nenhum esforço para pô-los em prática, e em alguns casos, sequer se promove sua ratificação. Não basta o discurso. Quer-se a ação. E a ação deve ser efetiva e deve começar com a conscientização e com a educação que nesse país são nitidamente sublimadas para dar lugar à ignorância e ao assistencialismo próprios de governos que precisam ser eleitos a qualquer custo.

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